celebrar áfrica

pedro bispo

O convite do João Carlos Pinto para participar na “Newsletter #amigos – Comercialfoto não poderia ter vindo em melhor altura. Ter a oportunidade de poder Celebrar África, a sua biodiversidade e os seus grandes espaços selvagens, numa época em que por culpa própria a Humanidade atravessa um dos seus períodos mais negros deste ultimo século, é de facto um privilégio.
Contudo, estes grandes espaços de biodiversidade encontram-se também sobre grande pressão devido ao constante crescimento da população humana e crescente necessidade de recursos, o que por sua vez gera aumento do conflito Homem-Vida Selvagem e a caça furtiva.
Nos últimos 21 anos a população de leões decresceu cerca de 46%, tendo-se regionalmente extinguido em 18 países africanos. Actualmente estima-se uma população de 23 000, que à taxa actual se extinguirão em menos de 50 anos. A população mundial de leopardos decresceu de 700 000 para 50.000 nos últimos 50 anos. No Kruger National Park, África do Sul, cerca de 2,1 rinocerontes são perdidos por dia para a caça furtiva.Cerca de três elefantes são abatidos por hora em África pelo seu marfim.

Os exemplos são infelizmente muitos e alarmantes.

Infelizmente, e por razões conhecidas, o ano 2020 vai ser bastante pior. A infra-estructura de conservação da natureza é quase totalmente ou exclusivamente dependente do turismo, na oferta de milhares de postos de trabalho directa ou indirectamente.
Os programas de implantação e protecção/ vigilância da natureza vão ser fortemente afectados. As comunidades que rodeiam as áreas protegidas dependem deste rendimento para basicamente, subsistirem. Estima-se um acréscimo da caça furtiva como fonte directa de alimento, mas também como fonte de rendimento extra, direccionando esta caça para espécies de maior valor de mercado: elefantes, rinocerontes, leões, leopardos, pangolins, etc…;

Como se isto não bastasse grande parte da região do Este Africano (Etiópia, Sudão do Sul, Somália, Quénia e Uganda) está neste momento a ser afectada pela segunda vaga da maior praga de gafanhotos de que há registo. Se esta segunda onda não for controlada, estima-se que uma terceira, de proporções muito maiores atinja a região no último trimestre deste ano. A maioria das colheitas agricolas serão perdidas. A fome será inevitável.
Que futuro para os grandes espaços de biodiversidade e vida selvagem? É importante redimensionarmos a nossa atitude para com o Planeta e garantir a subsistência dos ecosistemas dos quais fazemos parte.
É de facto um previlégio poder celebrar e partilhar fotograficamente para que estes espaços lá como cá sejam preservados. Na fotografia de vida selvagem estão incluídas várias categorias nas quais e entre muitas fazem-se figurar, a fotografia de acção, comportamento, retrato, interacção com o meio ambiente e paisagem.
Como simples amador e normalmente limitado no tempo com um plano de viagem definido, o retrato, a interacção com o meio ambiente e a paisagem são os tópicos nos quais me concentro, uma vez que para os outros, tempo é o primordial e mais importante factor. A fotografia de acção e/ou de comportamento envolve um bom conhecimento e estudo das espécies alvo e do ambiente a fotografar. Em síntese, dedicação total. Ser profissional.

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